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Tratak
O Yoga dos olhos


Tratak, que significa "olhar fixamente", aparece nos dois tratados de Hatha Yoga - Gerandha Samhita e Hatha Yoga Pradipika - como um dos Shat Karmas (ou Shat Kriyas), isto é, uma das seis práticas de limpezas psicofísicas.
Segundo estes dois livros, a prática do Tratak constitui simplesmente em fixar o olhar - sem piscar - em algum objeto que pode ser uma vela, a foto ou a imagem de uma divindade, e até a lua ou o sol nascente, em práticas mais avançadas.
Existem dois tipos de Tratak: bahiranga (exterior) e antaranga (interior). O primeiro é o que vamos tratar neste texto. O segundo é a convergência da visão interna em algum objeto, que pode ser um chakra ou a imagem de alguma divindade. Um trabalha com os olhos abertos e o outro com eles fechados.
O Tratak, além de todos os seus enormes benefícios na área da saúde ocular, é um poderoso exercício de concentração.
Diz Swami Satyananda: "Tradicionalmente sua prática é considerada como formando parte do Hatha Yoga, mas sua técnica se assemelha mais à uma mudra, de maneira que também pode ser considerada como parte do Raja Yoga. Se praticada regularmente, desenvolve um poder de concentração até um grau quase ilimitado."
Ou seja, além de uma excelente técnica de Pratyahara (abstração dos sentidos) e Dharana (concentração), Tratak também pode, como diz Satyananda, se tornar uma mudra, como é o caso dos dhristi (que significa mirada concentrada): Bruhmadya Drishti (também chamada de Sambhavi Mudra) - a mirada no ponto entre as sobrancelhas, e Nasagra Dhristi (ou Agoghari Mudra) - a mirada na ponta do nariz.
Em termos energéticos, o Tratak, de uma forma geral, vai trabalhar energizando e despertando o Ajña Chakra (que é quem "gerencia" os olhos).
A prática de Nasagra Dhristi vai energizar também Ida e Pingala e o chakra Muladhara - pois estas nadis tem suas origens neste chakra e nas duas narinas.
Diz o Gerandha Samhita: "Olha fixamente, sem piscar, para um objeto pequeno, até que as lágrimas comecem a correr. Isto é denominado Tratak pelos sábios. Praticando este Yoga, Sambhavi Mudra é obtido. Certamente todos os males da visão são destruídos e a clarividência é produzida."
E o Hatha Yoga Pradipika diz: "Sem pestanejar, fixe seu olhar, com a mente concentrada, até que as lágrimas jorrem dos olhos. Isto é denominado Tratak pelos Gurus. Com Tratak todas as doenças dos olhos são curadas".
O Tratak que vamos abordar neste texto é, na verdade, um desenvolvimento da série 4 da técnica de Pavana Muktasana. São exercícios que simultaneamente combinam movimento e alongamento da musculatura ocular, além do treinamento da concentração. Antes de apresentar as técnicas, algumas recomendações importantes:

  1. Os braços deverão trabalhar em ângulo reto com o tronco, com a unha do dedão bem na altura dos seus olhos - nestas práticas o objeto da sua concentração será a unha do seu dedão. A mão estará sempre fechada com o dedão abduzido. E você ainda dará, " de quebra", um bom trabalho aos deltóides...
  2. Procure não movimentar a cabeça. Quem trabalha são os olhos. No início até sem percebermos movemos a cabeça, mas com a prática isto se corrige. Mantenha sempre o queixo paralelo ao chão e os ombros e o rosto sem tensão.
  3. Combine o movimento com respiração. Estabeleça um ritmo , uma sincronia.
  4. Comece a praticar a série fazendo apenas uma vez cada exercício e aí bem gradualmente vá aumentando as repetições.
  5. Nos exercícios em que os olhos e braço estão em movimento, dê sempre uma parada no ápice do movimento. para alongar. O ápice é aquele ponto em que você já quase não vê mais o dedo (como, p.ex., na abdução de 90º do braço). Mantenha a imobilidade nesta posição por alguns segundos para alongar a musculatura ocular.
  6. Nos exercícios em que os olhos e o braço estão em movimento, FAÇA SEMPRE OS MOVIMENTOS MUITO LENTAMENTE. Só assim você obtém os benefícios do trabalho de concentração. Os exercícios que trabalham com movimento dos olhos e o braço imóvel, devem ser feitos mais rapidamente.
  7. Mesmo quando a visão periférica for mais forte - como no caso da chegada no ápice do movimento - mantenha sua intenção na mirada no dedão. Estaremos assim, treinando também a convergência da atenção e da intenção (consciência e vontade), o que é muito importante no caminho do Yoga.
  8. Entre um exercício e outro, dê uma sequência de piscadas rápidas, para umidificar bem os olhos, e mantenha-os fechados por alguns segundos.
  9. No final, o ideal seria meditar um pouco. Mas nunca abra os olhos antes de esfregar bem as palmas das mãos produzindo bastante calor e impondo-as em concha sobre os olhos. Quando o calor acabar, massageie suavemente as pálpebras inferior e superior. Só aí, então, abra lentamente os olhos.
  10. Eventualmente pode ocorrer tontura durante a prática. Não force mas também não abandone (exceto é claro, se você tem problemas mais sérios como, p.ex., labirintite. Consulte seu médico antes de praticar Tratak).
    Pode ocorrer também, após a prática, dor nos olhos ou mesmo enxaqueca.
    É bom frisar que estamos movimentando e alongando musculatura ocular , e isto poderá provocar algum incômodo, da mesma forma como acontece quando começamos a fazer algum exercício após estarmos meio enferrujados. Além disso, estamos mobilizando profundamente uma região importante que "hospeda" conteúdos psico-emocionais mal digeridos, na forma do que o Dr. W. Reich chamou de couraça ocular. A mobilização desses conteúdos do inconsciente mobiliza nossas defesas que vão procurar sabotar o processo de resgatar o livre fluxo da energia. Com a prática os desconfortos normalmente desaparecem.
  11. Problemas oculares como miopia, estrabismo, astigmatismo e hipermetropia são considerados configurações diferentes de couraças oculares. O trabalho com Tratak pode, dependendo da perseverança, atenuar ou até mesmo curar estes distúrbios oculares. Com toda a certeza, a moderna Ortóptica vem direta ou indiretamente do Tratak. Atenção: pessoas com problemas mais sérios, como por exemplo, glaucoma, devem consultar o olfalmologista antes de praticar Tratak.

 

Técnica

Postura: Padmasana, ardha padmasana, sukhasana, siddhasana, dandasana ou vajrasana.

  1. Um braço flexionado 90 graus e o outro abduzido 90 graus: saltar o olhar de um dedão ao outro várias vezes. Trocar a posição dos braços.
  2. Os dois braços abduzidos 90 graus: saltar o olhar de um dedão para o outro.
  3. Braço flexionado 90 graus: lentamente abduzi-lo horizontalmente 90 graus acompanhando com o olhar, parar alguns segundos para alongar e voltar. Trocar o braço.
  4. Um braço flexionado até o ponto mais alto que a vista alcançar e o outro o mais baixo que a vista possa alcançar. Saltar o olhar de um dedão para o outro várias vezes. Trocar a posição dos braços.
  5. Saltar o olhar de Nasagra para Brumadhya dhristi indo e voltando várias vezes.
  6. Braço flexionado 90 graus: elevar lentamente fazendo a flexão e acompanhando com o olhar até o ponto mais alto. Parar alguns segundos para alongar e voltar até o ponto mais baixo. Parar para alongar e voltar para o centro. Repetir com o outro braço.
  7. Em Vajrasana: Flexionar um braço até o ponto mais alto e vir aduzindo-o fazendo um grande meio-círculo até a posição mais baixa. Trocar de braço e fazer o outro lado subindo o outro meio-círculo. Fazer a ida e a volta do círculo completo.
  8. Flexão dos dois braços a 90 graus, mãos juntas: fixar o olhar em um ponto no infinito e ir lentamente abduzindo horizontalmente os braços até 90 graus e voltar. Procure simultaneamente fixar o ponto a frente no infinito e acompanhar na visão periférica os dois dedões que se movem cada um para um lado, indo e voltando para a posição inicial.
  9. Braço flexionado 90 graus: foque o centro da unha do dedão e venha aproximando-o lentamente dos olhos, forçando o foco, até a mão encostar no nariz. Volte e troque o braço. É importante procurar manter o foco, mesmo quando isto é impossível.
  10. Fixe o olhar na ponta do nariz (Nasagra dhristi). Em seguida fixe o olhar em um ponto no infinito. Vá e volte o olhar, inicialmente bem lentamente e depois saltando o olhar da ponta do nariz para o infinito e vice-versa.
  11. O Tratak clássico : coloque uma vela acesa um pouco abaixo da altura dos olhos, e a cerca de um metro de distância. Fixe firmemente o olhar sem piscar até que os olhos lacrimejem. Feche-os e relaxe.

Fontes:

- Yogasanas, Pranayama, Mudra e Bandha, Swami Satyananda Saraswati.
- Gerandha Samhita e Hatha Yoga Pradipika, tradução de Caio Miranda.

Ernani Fornari
Dharmendra


 
 
 
 
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